Hospitais registram aumento nos atendimentos de crise de rinite alérgica
Hospitais registram alta nos prontos-socorros devido a crises de rinite alérgica, impulsionadas por mudanças climáticas e baixa umidade.
As unidades de saúde e pronto-socorros de diversas regiões têm observado um crescimento expressivo na procura por atendimento médico devido a crises intensas de rinite alérgica, quadro que frequentemente vem acompanhado de complicações sinusais. O fenômeno, comum em períodos de transição climática, tem sobrecarregado os serviços de emergência e acendido o alerta entre especialistas em imunologia e otorrinolaringologia sobre a importância do manejo adequado da condição crônica para evitar idas frequentes ao hospital.
O impacto das mudanças climáticas nas vias aéreas
As oscilações bruscas de temperatura, aliadas aos baixos índices de umidade relativa do ar e à poluição urbana, criam um cenário desfavorável para a saúde respiratória. Durante esses períodos, a mucosa nasal sofre com o ressecamento e com a maior exposição a agentes irritantes, o que desencadeia uma reação inflamatória exagerada.
Especialistas explicam que o sistema imunológico de indivíduos alérgicos reage de forma desproporcional ao entrar em contato com alérgenos comuns, como poeira, ácaros, fungos e pólen. Essa reação resulta nos sintomas clássicos: espirros em salvas, congestão nasal severa, coriza aquosa e coceira intensa no nariz, olhos e céu da boca, que podem durar horas ou até dias se não tratados corretamente.
A linha tênue entre rinite e sinusite
Um dos principais motivos que levam os pacientes a buscarem o pronto-socorro durante as crises alérgicas é a evolução dos sintomas para um quadro de rinossinusite. Quando a inflamação da mucosa nasal é muito intensa, há o edema — inchaço — dos tecidos, o que bloqueia os ostios, que são os pequenos canais de drenagem dos seios da face.
Com a secreção retida nas cavidades ósseas do crânio, cria-se um ambiente propício para a proliferação de vírus e bactérias. É nesse momento que a rinite alérgica inicial pode se transformar em um processo infeccioso ou inflamatório secundário, caracterizado por dor na região da face, sensação de peso na cabeça, obstrução nasal persistente e secreção nasal mais espessa e amarelada ou esverdeada.
Fatores agravantes nos ambientes internos
Embora o clima externo exerça forte influência, grande parte dos gatilhos para as crises alérgicas está dentro de casa ou no ambiente de trabalho. Com a chegada de dias mais frios ou secos, as pessoas tendem a manter os ambientes fechados, reduzindo a circulação de ar fresco.
Essa dinâmica favorece o acúmulo de ácaros em colchões, travesseiros, tapetes e estofados, além de facilitar a proliferação de fungos (mofo) em paredes e armários. O uso prolongado de aparelhos de ar-condicionado sem a devida higienização dos filtros também atua como um disseminador de partículas irritantes, agravando o quadro alérgico de toda a família e tornando as crises mais recorrentes.
A importância do acompanhamento médico regular
Profissionais da saúde ressaltam que o pronto-socorro deve ser procurado apenas em situações de crise aguda e intensa, quando há falta de ar, dor facial severa ou febre alta. No entanto, o tratamento ideal para a rinite e a sinusite alérgica deve ser contínuo e acompanhado por um médico especialista, como o imunologista ou o otorrinolaringologista.
O uso indiscriminado e frequente de descongestionantes nasais de venda livre é apontado como um grande risco. Embora ofereçam alívio imediato, esses medicamentos causam o chamado “efeito rebote”, piorando a congestão a longo prazo e podendo provocar lesões na mucosa nasal e problemas cardiovasculares. O plano de ação adequado envolve o uso de medicamentos controladores prescritos, lavagem nasal diária com solução fisiológica e medidas de controle ambiental.
Cuidados preventivos no dia a dia
Para minimizar a frequência e a intensidade das crises respiratórias, adotar uma rotina de cuidados preventivos é fundamental. A limpeza da casa deve ser feita preferencialmente com pano úmido e aspirador de pó equipado com filtro adequado, evitando a dispersão de poeira no ar.
Outras recomendações importantes incluem:
- Lavar regularmente as mãos e o rosto após retornar da rua;
- Utilizar capas antialérgicas em travesseiros e colchões;
- Evitar o acúmulo de objetos que acumulem pó, como bichos de pelúcia e livros velhos, nos dormitórios;
- Manter os ambientes arejados sempre que possível, permitindo a entrada de luz solar;
- Garantir a hidratação corporal adequada através do consumo frequente de água, o que ajuda a fluidificar as secreções das vias aéreas.
Serviço
Caso você apresente sintomas persistentes de rinite ou sinusite, procure orientação médica em uma unidade básica de saúde para avaliação inicial e encaminhamento para especialista. Evite a automedicação. Em caso de falta de ar súbita, dor intensa na face acompanhada de febre ou inchaço acentuado, dirija-se imediatamente ao pronto-socorro mais próximo. Para o controle a longo prazo, consulte regularmente um médico alergista, imunologista ou otorrinolaringologista e mantenha a caderneta de vacinação atualizada contra gripes e infecções respiratórias.